Sétimo Show - Maribor (Eslovênia)


A Eslovênia foi um dos países mais desconhecidos para todos nós, culturalmente, geograficamente, a cena local, tudo... Eu sabia que a natureza era deslumbrante por ter visto algo em um documentário de TV mas no geral juntamente à Eslováquia era o que tinha de mais exótico nessa tour.
Logo estávamos em Maribor, localizada na fronteira com a Áustria, e a impressão geral foi de uma cidade muito bonita e calma. Chegamos num complexo onde ficava o local do show (Gustaf Hall) no início da tarde, uma área com 3 bares, pista de skate, altas esculturas entre outras loucuras menos divulgáveis. 
Enquanto os caras do Terrordome não chegavam fomos comer num excelente restaurante italiano (senti bastante influência italiana na cidade) e depois fazer algumas imagens pro clip de “Guerra”. No final da tarde a van do Terrordome chegou e fomos passar o som. A estrutura da casa é excelente assim como todo o equipamento de palco e PA e o palco em si, com 2 níveis mais praticável de bateria. Na verdade o diferencial mais foda desse lugar é o técnico, pois o cara realmente conhece o equipamento e a ambiência do Gustaf Hall e tira um som de primeira. Tocamos com uma banda de death metal local chamada Armaroth e a molecada manda muito bem. Uma mistura de Slayer com death metal sueco e da Flórida, nada original mas extremamente bem feito e com pegada animal. Uma das melhores bandas com quem tocamos nesse role com certeza.

A casa estava com um bom público apesar de ser o mais parado de toda a tour. Prestigiaram todas as bandas mas de uma maneira bem tranqüila tal qual um público de reggae (risos). O cheiro de ganja constante no local e o alto consumo de cerva ajudava a entender o estado contemplativo da audiência, mas o que importa é que foi outra noite muito foda onde tanto Uganga quanto Terrordome fizeram bons shows que agradaram em cheio. Na real acho que foi a platéia mais alternativa da tour já que poucos eram bangers de verdade, o que eu acho excelente diga-se de passagem. Acaba sendo outro termômetro e mostra que felizmente nosso som não se prende a um único tipo de audiência. Assim como no Brasil (e como na primeira tour européia), tocamos novamente para públicos variados, bangers das antigas, molecada do metalcore, alternativos, fans de som pesado em geral, punks e sempre foi da hora.
Espero continuar sempre tendo essa variedade de pessoas para conferir nossa música. 
Após os 3 sets ficamos na casa até desligarem o som, já que dormiríamos num container adaptado como moradia (revestimento acústico, energia, frigobar etc...) localizado ao lado do Gustaf Hall (outro container banheiro estava a disposição para uso exclusivo da banda). Exemplo de lugar gerido em sistema de cooperativa que funciona bem, a começar pelo tratamento 100% profissional dado às bandas. 
O Terrordome preferiu seguir viagem para parar no meio do caminho até Milão (local do próximo show) e conhecer Veneza. Pareceu tentador mas preferimos uma noite de sono bem dormida e uma praia na fronteira com a França em 2 dias. A Cross Over Chaos Tour seguia firme e o próximo passo era a Itália.


por Manu Joker